
“Nunca confie na mulher que diz a verdadeira idade, pois se ela diz isso... Ela é capaz de dizer qualquer coisa.”
Oscar Wilde
Querida ME, postei a foto pelo Internet Explorer e ela logo exibiu todo seu vigor, já ante ao Fire FOX as coisas não foram tão bem, não foi possível estabelecer conexão e transmitir a foto, não sei ao certo se este é o problema, porém, os sintomas foram estes. Tente manobrar por este lado.
Curiosidade: Qual a tua idade, ME? :)
Beijos do conde AUSENTE, presente.
Inevitável
Não quero ir
Não quero
Não
O cortejo
O choro
As velas
A cova
A reza
A rosa
E eu
Pó...
Ebook do Vale das Sombras - Vol II
Como diria Peninha “tudo era apenas uma brincadeira e foi crescendo, crescendo, me absorvendo...” O Vale aconteceu assim...
E mais uma cria se apresentando: “Ebook do Vale das Sombras – Vol II”
Textos e Performance de primeiríssima qualidade, basta verem o elenco:
Com a Idealização, Coordenação e Revisão de Me Morte, Coordenação Editorial de Ana Kaya, Projeto Gráfico, Ilustrações e Editoração Eletrônica de René Ociné, Apresentação e Capa de LUCASI, Participação Especial de Giovani Iemini, Paulo Eduardo de Freitas, Cláudio Jr., Susana Lorena, André Espínola e Raiblue, textos dos Vale Blogueiros Ana Kaya, Jessiely Soares, Émerson Sarmento, Pedro Faria, Juliana T. P., René Ociné, Gisele Sato, Adroaldo Bauer, Thiers, Renata D’ Mattos, Flá Perez, Mali Ueno, Dos Anjos e Me Morte...Caramba!
LANÇAMENTO EBOOK DO VALE - VOL II
OVERMUNDO:
http://www.overmundo.com.br/banco/ebook-do-vale-das-sombras-vol-ii
RECANTO DAS LETRAS:
http://recantodasletras.uol.com.br/e-livros/1023795
Um projeto que veio para ficar, a Coleção de Ebooks do vale das Sombras hoje se tornou meta de todos que entram para a Comunidade do Vale das Sombras.
O Vale das Sombras, além de Blog e Ebook, lançou também as “Filiais do Vale pelo Brasil” e estreiou com “Vale das Sombras – Alagoas”, do poeta Dionísio de Maceió.
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=55250757
Será esse o fim da Literatura?

A empresa também oferece a possibilidade do cliente colocar seus próprios textos no papel
O velho hábito de ler no banheiro ganhou um componente moderno: o papel higiênico literário.
A empresa espanhola Empreendedores está lançando rolos de papel especial onde aparecem impressos clássicos da literatura mundial para que o usuário vá lendo enquanto permanecer no banheiro.
O produto, vendido só pela internet, inclui trechos de literatura clássica, teatro, poesia e até textos sagrados da Bíblia e do Budismo.
"Hemingway dizia que clássico é aquele livro que todo mundo respeita, mas ninguém lê. O que estamos fazendo é levar os livros aos banheiros, aproximando a literatura do homem", disse o dono da empresa, Raúl Camarero.
"E surge aí um conflito interessante: limpar o traseiro com uma bela obra e o dilema moral que isso representa", disse.
Da Bíblia foram escolhidos trechos do Apocalipse, do Cantar dos Cantares e dos Provérbios. Os textos sagrados budistas são O Sutra do Loto e o Livro Tibetano dos Mortos.
A intenção dos sócios da companhia era incluir também trechos do Corão, mas tiveram medo da possível reação dos islâmicos. "Tivemos medo, sim, de provocar ira e vingança. Alguns até ameaçaram sair do projeto, se insistíssemos", explicou o empresário.
Peça de teatro
A idéia surgiu a partir de um espetáculo teatral. Camarero, que dirige uma companhia de teatro, escreveu uma peça intitulada "Empreendedores", onde uma empresa imprimia clássicos literários em papel higiênico.
A peça ganhou um prêmio no Festival de Teatro de Sevilha e a companhia decidiu então transformar ficção em realidade.
Os trechos escolhidos para a impressão são clássicos de domínio público, pelos quais não é preciso pagar direitos autorais. Mas a empresa avisa que está aberta a propostas de novos escritores.
Os rolos custam 3,70 euros (cerca de R$ 9,80) cada, e o "leitor" tem a opção de escolher os textos e a cor do papel higiênico.
Eles estão disponíveis nas cores branco, laranja e rosa, feitos de uma celulose mais resistente. A maioria dos pedidos tem sido de trechos de livros de Federico García Lorca.
"Usamos letras grandes com espaço entre as palavras para que seja uma leitura fácil e relaxante. Às vezes você não tem muito tempo no banheiro e tem a tentação de usar o papel e não ler. Mas se pensar que esse material vai ser desperdiçado para sempre...", comentou Camarero.
Desde que apareceu em um programa de televisão, a companhia Empreendedores, que anuncia seu produto apenas na internet, está ficando famosa na Espanha.
Fonte: http://diversao.uol.com.br/ultnot/bbc/2008/04/22/ult2242u1617.jhtm
Eternidade! Somente aos bons...

Entre 100 e 140 milhões de mulheres tiveram mutilação de seus clitóris no mundo todo, especialmente na África Subsaariana, mas também em outras regiões onde a prática é tradicional, e inclusive nos países da Europa e América do Norte, onde o total chega a 6,5 milhões?
A prática tem a ver com os ritos de iniciação e de entrada na idade adulta de alguns povos.
As meninas que não se submetem a essa prática são mau vistas pela sociedade e quando conseguem um casamento geralmente é com um homem bem mais velho e que já possui suas três ou quatro mulheres.
Nos outros continentes, os principais focos nos quais a mutilação feminina é uma prática tradicional são certas partes do Oriente Médio e do sudeste asiático. Os índices mais altos são em países como Iêmen, Indonésia e Malásia.
A imigração levou a ablação a países europeus, como a França.
Segundo as estimativas do Ined, de 42 mil a 61 mil mulheres francesas sofreram a extirpação do clitóris.
O que aconteceu com o ser humano?
Eu procuro respostas...
Acredito na minha capacidade de discernimento e bondade, mas quando o assunto é sentimento alheio me abstenho de adivinhações. Como dizia minha avó, quem coloca a mão no fogo pela bondade alheia tem queimaduras triplas.
Quem me garante as imagens que passam na mente santa de uma virgem enquanto se masturba ou um monge budista quando olha uma garota seminua na praia? Se é natural por que se culpam?
Saber qual é a diferença entre um pedófilo que pratica e outro que somente goza com imagens infantis em sua cabeça doentia, sem jamais concretizá-las, por medo da punição que teria da sociedade.
O que pensa um pai que por motivos ditos “culturais” entrega sua filha para um ritual tão perverso que é a extirpação do clitóris?
Eu não acredito no ser humano e o único que confio de olhos fechados é em meu filho por que ainda possui a pureza da ingenuidade das crianças.
O homem tem que ser extinto e se existe um ser superior, reinventá-lo para uma nova tentativa de adaptação, mas com vida mais curta, o adulto vive demais, por isso faz tanto mal para seu semelhante.
E quanto aos escritores, esses deveriam ter vida eterna, para poder gritar sempre entre canetas e computadores, livros e chips, o protesto por atitudes tão grotescas. Também os jornalistas, os radialistas, os políticos, os agitadores, os grevistas, os comediantes, os trabalhadores, os doutores, os atores...Bastava ser bom.
Que existisse um aparelho que medisse a índole das pessoas ainda no útero e nesse caso, liberado o aborto...Só nesse.
Sonhar é permitido, viver nem tanto...
Around the World!
Nobres e nunca esquecidos visitantes...
O frio me fez parar e, parar, incentivou-me à faxina eletrônica. Enumerei alguns e-mails de (in)utilidade pública e, portanto, resolvi publicar alguma coisa por aqui, assim, de sopetão, como alguém que chega de viagem e já se prontifica em armar a estante e mesas com lembranças importadas.
(Se já contemplaram tal material noutra ocasião, indique para um conhecido!)
Mundo injusto
As fotos abaixo mostram a quantidade de alimento consumida em uma semana por uma família típica de quatro países. Note a desproporção que revela a desigualdade social em nosso planeta

Alemanha - família Melander de Bargteheide. Despesa com alimentação em uma semana: 375,39 Euros (500,07 dólares)

Estados Unidos da América - família Revis, da Carolina do Norte. Despesa com alimentação em uma semana: 341,98 dólares

Equador - família Ayme de Tingo. Despesa com alimentação em uma semana: 31,55 dólares

Chade - família Aboubakar, do campo de refugiados de Breidjing. Despesa com alimentação por semana: 685 francos (1,23 dólar)
Sabemos das mazelas da sociedade quanto sua distribuição de renda, mas, pior ainda, é viver fazendo de conta que o problema nunca nos atingirá. É horrível saber que empurramos a sujeira pra debaixo do tapete e não erguemos a bandeira da mudança.
Aqui, o pouco que se faz é muito.
Que tal começarmos a fazer nossa parte? Se já faz, divulgue aqui!
Confissão!

Na pequena cidade não conta o seu pecado; é terrível demais pra contar, nem merece perdão.
Conta as faltas simples e guarda seus segredos de seu mundo.
A eterna penitência, três padre nossos, três ave marias. Não diz o padre, é como se dissesse:
- Peque o simples, menino. E vá com Deus!
O pecado graúdo, acrescido do outro de omiti-lo, aflora noite alta em avenidas úmidas de lágrimas, escorpião mordendo a alma na pequena cidade.
Cansado de estar preso, um dia se desprende do colégio e se confessa:
- Hediondo!
- Mas você tem certeza de que fez? O que pensa que fez? Ou sonha apenas?
Há pecados maiores do que nós, em vão tentamos cometê-los, ainda é cedo.
- Vá em paz com seus pecados simples; reze três padre nossos e três ave marias.
A moça do Velório (Vigília)

Morri.
Não digo que isso tirou o meu sossego. Tampouco lamentei por não mais poder trepar, meu esporte predileto em vida. Alguma compensação teria do outro lado, uma vez que estava pensando, mesmo depois de morto. Quem sabe uma transa, sensorial, e o escambau...Contanto que eu gozasse, o tipo de foda é o que menos contaria.
Mas estava ali, parado, no canto da sala sem vontade se subir. Ou descer...Enfim.
Era o meu velório. Devia ser norma, eu só poderia sair para meu novo lar depois das homenagens.
Quando a puta da Ritinha entrou confesso que a rigidez de um corpo morto no caixão foi desculpa para o volume do pau que se formou. Eita mulher gostosa! E como sabia chupar, uma profissional.
Antes de sair da sala, após uma reza em silêncio, tocou minhas mãos como a benzer para fazer o sinal da cruz...Olhou para os lados e tocou de leve meu caralho.
Que coisa triste! Tocou meu caralho! E eu não senti nada. Morrer era brochante...
Mario, meu melhor amigo, entrou e num ímpeto, rompeu num convulsivo choro. Vieram amigos, vizinhos e a própria Ritinha. Estavam estarrecidos com o sofrimento do pobre.
Menos cara! Pelo amor de Deus! Tu é viado? Será que me enganaste esse tempo todo?
Que não vão dizer de mim?
Teve até desmaio..Ai tem! Miserável! E todas as vezes que tomamos banho no vestiário depois de uma partida de futebol. No mínimo tocou umas, afinal, bem dotado eu reconheço que sou...Ou era.
Antes de Mario sair da sala me tascou uma beijo na bochecha. Eca! Não dava para resistir, abri meus olhos...
-LUIZ...
_Calma, isso é normal. Disse uma das carolas rezadeiras fechando minhas pálpebras com aquelas mãos enrugadas cheirando a alho. É um reflexo apenas.
Foi quando Aninha entrou na sala. Uma deusa nos seus dezoito aninhos, seios durinhos e bundinha empinada...Sempre fui tarado por ela. Planejava disvirgina-la em breve. Mas não me olhem com essa cara de surpresa, não sou pedófilo, apenas um eterno apaixonado que soube esperar. Eu tinha adoração pela moça desde que tinha quatorze anos.
Ela chegou perto do caixão e, com uma mão acariciou meu braço. Enquanto escorria uma lágrima eu percebi, discretamente, com a outra mão levantou a saia e seus dedinhos tocavam a bucetinha.
Ah! Aí já era demais! Maldita hora que fiz aquela ultrapassagem! Eu podia estar comendo esse corpinho...Não é possível.
Num ímpeto a moça fechou os olhos e enquanto todos os presentes supunham estar chorando, percebi um leve gemido e tremor, ela gozava em silêncio.
_Por Lúcifer! Isso está acima das minhas forças. Meu corpo está sentindo. Céus! Meu pau esta duro, eu sinto.
De repente fui tragado e meu corpo astral penetrou nas vísceras do defunto no caixão.
Me recuso a sair. Quero gozar uma última vez.
_Eita tesão desgraçado! Sentei no caixão e a gritaria foi geral.
Nem preciso dizer quão grotesco foi a situação. Era um corpo acidentado. Olhos vermelhos, rosto arroxeado, faixas e gazes por todo o lado. A menina desmaiou e os presentes, um a um, saíram em disparada. Nem catalepsia seria possível pois o sangue já não habitava minhas veias.
Meia hora depois o delegado e meia dúzia de soldados voltavam à funerária para averiguar o ocorrido.
O corpo no caixão estava nu, com marcas de mordidas pelo peito e o pau, coitado, caído entre gosmas que pareciam saliva. No chão resíduos de esperma e sangue e a saia da moça.
Procuraram-na em vão. Ninguém mais soube dela. Só especulações. Alguns dizem que foi a última refeição do morto. Outros que foi para outra dimensão esperar pelo amante que a disvirginou, eu né,rs
O fato é que a partir daquele dia, todo velório de homem na cidade, a certa altura a luz se apagava e o morto aparecia nu.
Ah, e com um sorriso enorme na cara.
GOSTOU?
VENHA PARA MINHA NOVA COMUNIDADE:
Instinto & CasaDosContosEróticos
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=51320934
Caos
Sou assim,
Então me deixe sangrar.
Talvez confundam meu sangue
Com o odor desse maldito,
Que em pensamento matei
Com requintes de crueldade.
Enfiei a faca no ânus
E contorci, rodei, girei, morri em meio ao sangue.
E nada disso te trouxe de volta...

(Foto de Ânia Gonçalves)
-----------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------
Dengue, a vergonha Nacional!
Plágio e roubo de textos na internet!
Pedofilia! Homosexualismo!
Venha se divertir com questões da nova sexualidade feminina vista pelos olhos machistas de alguns homens.
Tem preferências sexuais? Tara? Fantasias?Conte aqui.
Eu sei que não podemos mudar o mundo, mas é só uma questão de grito! A história nos conta isso. Nada é mudado em silêncio.
ESTÁ ROLANDO UMA VOTAÇÃO PARA SE ESCOLHER SE MUDA OU NÃO O NOME DA COMUNIDADE, DÊ SUA OPINIÃO.
MURO DAS LAMENTAÇÕES
http://www.orkut.com/Community.aspx?cmm=46169813
Urucubaca

Acordou novamente com vontade de morrer. Era sempre assim. Um dia conseguiria.
O marido trocara-a por uma ninfeta.
O cachorro contraira Parvovirose, morrera há dois dias.
Recebera uma ordem de despejo.
Tinha o nome no Serasa, Procon e adjacências.
Tinham-lhe tomado o carro por falta de pagamento.
Foi ao cemitério levar flores à mãe que falecera há um ano e tropeçou numa cova aberta. Não deu noutra, caiu lá dentro, a sete palmos. Faltava só jogarem terra.
Na volta para casa uma pomba cagou em sua cabeça.
Hoje tinha todos os motivos, não ia falhar, faria o serviço.
Pegou a caixinha de sonífero e despejou os comprimidos na mão e...
-Merda! Não me restou nem coragem...Jogou o tudo pela janela. Não foi dessa vez.
Espalhou as contas sobre a mesa e foi para o quarto. Lá pelo centésimo carneirinho, adormeceu.
No outro dia percebeu algo diferente: A casa estava com a porta entreaberta, gavetas reviradas, geladeira aberta. Tinha entrado ladrão...
Em cima da mesa, ao lado das contas, um bilhete chamou sua atenção:
"Que urucubaca minha senhora! Não se preocupe, não vou levar nada...Deixei uma pequena ajuda para as despesas".
Duas notas de cem reais cintilavam junto aos papéis...
Velhos discos

Todos empoeirados,
Displicentemente aflitos,
Os velhos discos na estante da sala...
Um túnel do tempo.
Delírios, olhares,
Antigos luares
No phono do som.
Fumaças que trazem
Cigarros, meninas,
Violas, esquinas,
Numa só canção...
Todos amarelados,
Bossa Nova, Beatles...
Todos velhos mitos na estante da sala.
Todos empoeirados,
Bem ali, meio aflitos...
Todos velhos discos na estante da alma...
Me Morte
Um duzia de rosas vermelhas querida!

Numa lápide do cemitério,
Deixaram envoltas em fitas,
Uma duzia de rosas vermelhas.
A foto era amarela e antiga,
Inscrição apagada,descolorida.
Provavelmente uma namorada,
Um amor que se foi...
Eu nunca ganhei rosas vermelhas.
Como invejei aquela morta,
Que mesmo estando deteriorando,
Se fazia desejada, amada, lembrada
E eu aqui mofando...em vida!
Uma alma fúnebre que respira
E nunca ganhou rosas...
Peguei as fitas e joguei,
Uma a uma, no túmulo ao lado.
Cada botão de rosa que eu tocava
Morria, murchava, condenado
A ser um morto-vivo despeitado,
Como meu coração ali se mostrava,
Um mero órgão desapaixonado...
E a foto da inscrição apagada,
Verteu duas lágrimas caladas,
Longe da persepeção humanamente sentida
Chorou por ter em morte gesto tão pleno de vida
__Uma duzia de rosas vermelhas querida!
E nem percebeu que haviam lhe roubado,
Nem as flores, nem as fitas...
Disso aprendi que o que vale
Não são as rosas que por ventura receba,
Mas o amor que por certo distribua,
Que faça, mesmo em morte, ser lembrada,
Mesmo depois de deteriorada,
Continuar a ser desejada e querida
Isso é só para os que foram plenos em vida!
Me
(FELIZ ANIVERSÁRIO VALE DAS SOMBRAS)
Cilada

O copo cintilava em cima da pia. Veneno de rato dissolvido em suco de laranja.
Que idiotice! Que importava o gosto? Eu ia morrer mesmo. O telefone me tirou dos pensamentos.Guardei o copo rapidamente no armário.
-Alô. Querida? Fui promovido!Vamos comemorar... Era Roberto, meu marido.
Conversei com naturalidade, não podia decepcioná-lo, em seguida, desliguei. Ia preparar um jantar de comemoração. O suicídio ia ficar para amanhã.
Desde que descobri que tinha Aids minha vida virou um inferno.Não podia ser um transtorno para a família. Roberto era um marido exemplar, meu filho Douglas, uma criança adorável e meu pai, o velho Alfredo, homem íntegro e amigo. Novamente o telefone.
-Alô.Dona Sonia Rebelo?
-Sim, eu mesma.Quem fala?
-Aqui é do laboratório Brasil. A senhora fez um exame de sangue há três dias. Os resultados foram trocados por um funcionário inexperiente. A senhora não está doente. Seu exame deu negativo.
Não escutei mais nada. Eu não ia morrer! Deus! Foi Deus que tirou aquele copo de minhas mãos.
Fiz um jantar inesquecível.Filé a milanesa como Douglas gostava.Arroz de forno, batatas grelhadas, vinho tinto e musica romântica.Eram 23 horas quando finalmente eu e Roberto ficamos a sós.Olhares cúmplices, atrevidos, correria, nosso joguinho começara. Pega-pega, roupas pelos cantos, gemidos.Parecia a melhor de todas as noites. Nossa melhor performance!
Amanheceu! Era domingo e o relógio batia dez badaladas. Olhei para o lado, Roberto já tinha levantado. Vesti o roupão branco e fui até a cozinha.
-Bom dia amor. Dormiu bem? Ele me deu seu melhor sorriso.
Meus três amores sentados à mesa do café.
-Olá papai, que bom vê-lo. Querido, por que não me acordou? Eu faria o café de vocês.
-Nada disso. Fizemos um bolo de chocolate. Venha, experimente. Está delicioso.
-Mamãe. Eu arrumei a mesa. É a toalha que você gosta.
-Senta filha, antes que o café esfrie.
Os copos limpos no armário.O armário...aberto. O copo. Deus! O copo de veneno em cima da mesa... Um restinho de líquido amarelo... Quase vazio... Vazio...
Me
Abate

Aquele corredor imundo fedia bosta. Uma fila imensa de companheiras, angustiadas pelo que viria.
Os homens costumam dizer que somos seres irracionais. Mas eu estava consciente do que acontecia. Sabia onde ia dar o fim daquela agonia: No carrasco e seu facão. Ali naquele matadouro ainda usavam os métodos antigos, uma tortura.
Eu era tão jovem, só cruzara uma vez. Ele era o Touro mais belo da fazenda, o mais viril. Lembro que foi a foda mais esperada, eu sempre o comia com os olhos. Seu pau esteve dentro de mim por horas. Tivemos dois bezerros, algum tempo depois, arrancados de meus braços.
Agora ali, com meu pelo ouriçado pelos bernes, medrosa, pois havia chegado minha hora.
Empaquei, não ia desistir, iriam ter trabalho comigo. Um dos ajudantes, percebendo minha manha, enfiou um cabo elétrico no meu cu. Quase morri de dor. Não tinha mais nada a fazer, era enfrentar meu destino.
Quando finalmente minha companheira de frente chegou ao nosso algoz, uma facada fulminante atravessou seu pescoço e de seus olhos sairam duas lágrimas, sem mugido, como se estivesse entregue, morta em vida. O sangue jorrava e era aparado por um balde de metal. Nem o sangue nos pertencia.
Assisti a carnificina como se dopada estivesse. Chegara a minha vez. Teria voz para mugir? Meus músculos contorcidos tremiam, choravam...
-Não! Acordei molhada de suor e em prantos. Maldito! Maldito! Sabia que eu levava sempre tudo ao pé da letra. Desde a infância fui uma pessoa sugestionável. Se me jogavam praga pegava, se me diziam que pedra era mole eu acreditava. Sempre tonta. E o bilhete continuava lá, colado ao espelho, como uma vingança fria.
Paulo, meu noivo, descobrira que eu o traia e terminou o namoro de dois anos, idiota. E para me castigar colou uma pequena placa de alumínio escrita em vermelho no espelho do toucador:
- SUA VACA, ESTÁ SE PREPARANDO PARA O ABATE?
Me Morte
Queridos!
Nobres e incansáveis, internautas.

Sinto falta da agitação desta casa. Dos que foram. De mim. Da minha saúde. Da loucura que se esvaiu em 2007 e voltou em 2008. Voltei para arrumar a sala de visitas e dizer que estarei aqui por tempo indeterminado.
Fiquem à vontade, vou até a venda comprar pó de café e num instantinho estarei de volta.
Moai
|
|